MEZ tenta voltar a leilão, mas Aneel barra participação em relicitação
Publicado em 07/07/2026 , por CNN Brasil
Empresa da família Zarzur havia firmado acordo para manter uma concessão e devolver quatro ativos de transmissão; nos bastidores, agentes do setor questionam tratamento dado ao caso
A tentativa da MEZ Energia, empresa da família Zarzur (controladora da incorporadora Eztec), de voltar a disputar os lotes de transmissão que ela própria devolveu à União acabou frustrada pela Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica).
A companhia buscou participar da segunda etapa do leilão de transmissão, realizada na última sexta-feira (3), mas não teve a inscrição confirmada por problemas relacionados à apresentação da garantia de proposta, ficando impedida de disputar os empreendimentos licitados.
O episódio encerra um dos capítulos mais controversos da história recente dos leilões de transmissão. Nos bastidores do setor elétrico, no entanto, a solução construída entre a empresa, o MME (Ministério de Minas e Energia) e o TCU (Tribunal de Contas da União) ainda desperta críticas de agentes que consideram que a companhia recebeu tratamento diferenciado em relação aos precedentes da Aneel.
Isso porque a Aneel não participou da construção do acordo. A agência havia concluído pela recomendação de caducidade das cinco concessões em razão do descumprimento contratual. A solução consensual que preservou uma das concessões e permite que a MEZ volte a disputar novos leilões.
O ministro Benjamin Zymler, inclusive, manifestou, no plenário do TCU, a preocupação em relação à condução de processos de solução consensual sem embasamento técnico e falou em “risco moral muito acentuado”. Procurada, a MEZ não retornou o contato.
A MEZ ganhou notoriedade em dezembro de 2020 ao vencer importantes lotes de transmissão com lances agressivos. Em um dos principais ativos, a empresa ofereceu deságio na casa dos 70% sobre a Receita Anual Permitida (RAP) máxima prevista no edital, chamando atenção do mercado. Posteriormente, a companhia ampliou seu portfólio ao conquistar novos empreendimentos no leilão de 2021.
As obras, entretanto, praticamente não avançaram. A Aneel concluiu que os cinco contratos apresentavam inexecução, avanço físico de 0% e descumprimento dos cronogramas, recomendando ao MME a decretação da caducidade das concessões.
Em vez da perda definitiva dos contratos, foi construída uma solução consensual homologada pelo TCU. Pelo acordo, a MEZ manteve apenas a concessão da chamada MEZ 6, considerada estratégica para reforçar o sistema elétrico da Região Metropolitana de São Paulo, enquanto devolveu amigavelmente os outros quatro ativos para nova licitação.
Como contrapartida, a empresa concordou em pagar multas, ceder gratuitamente projetos, estudos e licenças ambientais já desenvolvidos e aceitar novas obrigações contratuais, incluindo a futura troca de controle acionário da concessão remanescente.
Embora o acordo tenha preservado apenas um dos cinco empreendimentos, parte dos agentes do setor avalia que a solução representou uma flexibilização inédita. Historicamente, os processos conduzidos pela Aneel resultavam na caducidade das concessões, enquanto, neste caso, optou-se por um distrato consensual para a maior parte dos ativos e pela manutenção de um deles mediante revisão das condições econômicas.
Já na relicitação realizada na semana passada, os quatro lotes registraram deságio médio de 53,2%, inferior ao observado em parte dos contratos originalmente conquistados pela MEZ. Os empreendimentos, agora assumidos pela Áxia Energia e pelo Consórcio Olympus, formado por Alupar e Infra II Investment, somam investimentos previstos de R$ 1,8 bilhão e têm cronograma de entrada em operação entre dezembro de 2029 e junho de 2031.
Os defensores da solução negociada argumentam, por outro lado, que a alternativa evitará uma disputa judicial prolongada e permitirá que a MEZ 6 entre em operação em cerca de 24 meses, prazo considerado substancialmente inferior ao de uma eventual relicitação do ativo, estimado em aproximadamente cinco anos. Além disso, a utilização dos estudos e projetos já desenvolvidos pela empresa deve acelerar a implantação dos quatro empreendimentos devolvidos.
Fonte: CNN Brasil - 07/07/2026
Notícias relacionadas
- 07/07/2026 BC estuda limitar acesso ao Pix por instituições mais vulneráveis a ataques cibernéticos
- 07/07/2026 Recuperações extrajudiciais avançam no Brasil com pressão de juros altos
- 07/07/2026 Frente da Agropecuária se reúne hoje com Durigan por PL das dívidas rurais
- 07/07/2026 MEZ tenta voltar a leilão, mas Aneel barra participação em relicitação
- 07/07/2026 Governo pode aprovar mistura de 32% de etanol na gasolina nesta semana; entenda
- 07/07/2026 Governo quer adotar regra automática para mudar teto de juros do consignado do INSS
- 07/07/2026 Juros do consignado variam de 1,47% a 4,98% ao mês entre bancos; veja taxas máximas
- 06/07/2026 Congresso cria comissão para debater crédito sustentável e prevenção de dívidas
- 06/07/2026 Empresas mudam estratégia para conquistar consumidores a partir dos 50 anos
- 06/07/2026 Boletim Focus escuta só o mercado financeiro e isso gera um viés, diz diretor do Instituto Esfera
Notícias
- 07/07/2026 Juros do consignado variam de 1,47% a 4,98% ao mês entre bancos; veja taxas máximas
- Governo quer adotar regra automática para mudar teto de juros do consignado do INSS
- Recuperações extrajudiciais avançam no Brasil com pressão de juros altos
- BC estuda limitar acesso ao Pix por instituições mais vulneráveis a ataques cibernéticos
- Governo pode aprovar mistura de 32% de etanol na gasolina nesta semana; entenda
Perguntas e Respostas
- Quanto tempo o nome fica cadastrado no SPC, SERASA e SCPC?
- A consulta ao SPC, SERASA ou SCPC é gratuita?
- Saiba quais os bens não podem ser penhorados para pagar dívidas
- Após quantos dias de atraso o credor pode inserir o nome do consumidor no SPC ou SERASA?
- Protesto de dívida prescrita é ilegal e dá direito a indenização por danos morais
- Como consultar SPC, SERASA ou SCPC?
- ACORDO - Em caso de acordo, após o pagamento da primeira parcela o credor é obrigado a tirar o nome do devedor dos cadastros de SPC e SERASA ou pode mantê-lo cadastrado até o pagamento da última parcela?
- CHEQUE – Não encontro à pessoa para qual passei um cheque que voltou por falta de fundos. O que posso fazer para pagar este cheque e regularizar minha situação?
- Problemas com dívidas? Dicas para você não entrar em desespero
- PROTESTO - Qual o prazo para o protesto de um cheque, nota promissória ou duplicata? O protesto renova o prazo de prescrição ou de inscrição no SPC e SERASA?
- Cartão de Crédito: Procedimentos em caso de perda, roubo ou clonagem
- O que o consumidor pode fazer quando seu nome continua incluído na SERASA ou no SPC após o pagamento de uma dívida ou depois de 5 anos?
- Posso ser preso por dívidas ?
- SPC e SERASA, como saber se seu nome está inscrito?
- Acordo – Paga a primeira parcela nome deve ser excluído dos cadastros negativos (SPC, SERASA, etc)
