Consumidores relatam aumento de quase 300% na energia elétrica e contas de até R$ 2 mil no RS: 'Um absurdo'
Publicado em 07/08/2026 , por G1
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Concessionária justifica alta por reajuste da Aneel e consumo no inverno. Procon suspendeu cobranças para análise e exigiu mais atendentes devido às longas filas na agência.
Moradores reclamam do valor nas contas de luz
Consumidores de Passo Fundo, no Sul do Rio Grande do Sul, enfrentam longas filas na agência da RGE para contestar o aumento expressivo nas contas de luz.
Diante do volume de reclamações sobre faturas que chegaram a triplicar de valor de um mês para o outro, o Procon já suspendeu pagamentos de pelo menos sete faturas e notificou a concessionária. O caso também será levado ao Ministério Público.
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O empresário Willian Ruan Moraes relata que a fatura saltou de R$ 201 em junho, com consumo de 444 quilowatts-hora (kWh), para R$ 759 em julho. o consumo chegou a aumentar em 150 kWh, mas em proporção bem menor ao aumento da cobrança.
Ele, que possui painéis fotovoltaicos instalados em casa, afirma ter encontrado inconsistências semelhantes nas contas de seis endereços da família.
Ana Clara Andrade de Oliveira também foi surpreendida com a cobrança. A conta dela passou de R$ 751 no mês anterior para R$ 2.207.
Já a manicure Jenifer Bueno dos Santos, que costumava pagar no máximo R$ 420, recebeu uma fatura de R$ 954. Na agência, ela foi informada de que a empresa fará uma análise.
O Grupo CPFL, controlador da RGE, justifica que o aumento nas faturas é motivado pelo reajuste tarifário anual autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pelo maior consumo de energia no inverno. Desde 19 de junho, a energia elétrica ficou, em média, quase 15% mais cara para os consumidores atendidos pela concessionária.
O Procon de Passo Fundo acompanha os casos. A coordenadora do Procon no município, Alana Schütz, destaca as falhas no serviço.
O Balcão do Consumidor da Universidade de Passo Fundo (UPF) também registrou crescimento na procura por orientações. Segundo o coordenador do serviço, Rogerio da Silva, apenas na terça-feira foram recebidos 17 consumidores presencialmente, além de dezenas de contatos telefônicos.
"A gente sabe que houve um aumento de mais de 14%, mas assim mesmo são valores bastante expressivos que precisam ser explicados pela companhia", pontua Rogerio. Segundo ele, por se tratar de uma demanda coletiva, o órgão encaminhará a situação ao Ministério Público para avaliar a abertura de um inquérito.
"É comum que, em períodos de temperaturas extremas — tanto nos dias mais frios quanto nos mais quentes — o consumo médio de energia nas residências sofra alterações. Isso acontece, principalmente, pelo uso mais frequente de eletrodomésticos como aquecedores, chuveiros elétricos, ventiladores, ar-condicionado e até geladeiras, que precisam trabalhar mais para manter a temperatura ideal.
A CPFL RGE esclarece que esse cenário pode ser resultado de uma combinação de fatores típicos da estação. Além do aumento natural no consumo, o reajuste anual, autorizado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em junho, também impacta o valor da fatura.
Em 19 de junho, entrou em vigor o reajuste tarifário da CPFL RGE, aprovado pela Aneel. O índice médio aplicado para consumidores residenciais foi de 14,98%.
No cálculo das tarifas, a Aneel considera a previsão de custos com compra de energia (geração), sistema de transmissão e os encargos setoriais, de acordo com as regras estabelecidas para o setor. Para a distribuição da energia elétrica, única parte que a CPFL RGE gerencia, a ANEEL estabelece a receita eficiente para a empresa.
Como entender sua fatura: A conta de luz traz o histórico de consumo dos últimos 12 meses, permitindo ao cliente comparar os períodos e verificar se houve aumento no uso de energia. Mudanças de hábito durante o inverno — como banhos mais longos e uso prolongado de aquecedores — podem gerar variações significativas no valor final.
Confira o consumo dos principais equipamentos e sugestões de pequenos cuidados que você pode ter para economizar:
O chuveiro elétrico é o aparelho que mais consome energia em uma residência. Ao utilizá-lo no modo "inverno", o acréscimo no consumo é de até 30% em relação ao modo "verão". O banho passa a ser responsável por 25% a 35% dos gastos na conta de luz nos dias mais gelados. Para economizar, reduza o tempo do banho."
Fonte: G1 - 07/08/2026
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