Dia dos Pais: como comprar presente sem se endividar
Publicado em 09/08/2026 , por SOS Consumidor
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O Dia dos Pais de 2026 deve movimentar cerca de R$ 8,52 bilhões no comércio brasileiro, segundo projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O número representa uma alta real de 2,9% em relação a 2025, já descontada a inflação. A data se mantém como a quarta mais importante do calendário do varejo em volume de vendas.
A animação dos consumidores é real: pesquisa da empresa DM, especializada em serviços financeiros, aponta que 75,7% dos entrevistados pretendem comprar presentes, e 47,2% planejam gastar mais do que no ano passado. Mas o cenário de juros elevados e endividamento das famílias pede cautela antes de passar o cartão.
Como os brasileiros pretendem pagar
O cartão de crédito parcelado é a forma de pagamento preferida, escolhida por 59,3% dos consumidores ouvidos na pesquisa. O crédito à vista aparece em segundo lugar, com 24,3%, e o PIX em terceiro, com 6,8%.
A boa notícia é que 64,5% dos compradores pretendem parcelar em até quatro vezes — o que indica um cuidado com o equilíbrio do orçamento. Parcelamentos mais curtos reduzem o risco de a dívida se arrastar por meses.
Ainda assim, vale lembrar que o cartão parcelado tem custo. Quando a compra é dividida no crédito rotativo ou em muitas parcelas, os juros podem transformar um presente de valor razoável em uma despesa bem maior do que o planejado.
O que isso significa para você
O orçamento próprio é o fator mais citado pelos consumidores na hora de escolher o presente — 26,7% apontam esse aspecto como o mais importante, à frente das promoções, decisivas para 21,6%. Isso mostra que a maioria das pessoas já sabe que precisa de limite. O problema é que a empolgação da data pode fazer esse limite escorregar.
Um dado chama atenção: no ano passado, 35% dos consumidores que pretendiam presentear já tinham contas atrasadas. E 13% cogitavam deixar uma conta sem pagar para comprar o presente. Esse é o tipo de decisão que parece pequena no momento, mas que pode pesar muito no mês seguinte.
Além disso, o Dia dos Pais costuma envolver gastos além do presente em si: supermercado para o churrasco, restaurante, bebidas, sobremesa. Parcelar itens de consumo imediato — como alimentos — significa pagar por algo que já foi consumido muito antes de a dívida acabar.
O que fazer agora
- Defina um valor máximo antes de sair às compras. Anote esse número e não ultrapasse. O presente não precisa ser caro para ser significativo.
- Olhe o valor total, não só a parcela. Uma parcela pequena pode esconder um preço final bem mais alto do que o esperado, especialmente se o prazo for longo.
- Prefira parcelamentos curtos. Se precisar dividir, opte por até três ou quatro vezes. Assim, a dívida some antes do próximo grande compromisso financeiro.
- Evite parcelar alimentos e itens de consumo imediato. Churrasco, bebidas e sobremesa devem ser pagos à vista ou via PIX, de preferência com dinheiro já separado para isso.
- Pesquise preços antes de decidir. Promoções reais existem, mas exigem comparação. Use aplicativos de comparação de preços ou visite mais de uma loja antes de fechar negócio.
- Se já tem dívidas em aberto, priorize quitá-las. Um presente menor — ou feito em casa — pode ser mais honesto com a sua situação financeira do que uma compra que vai piorar o endividamento.
Juros altos pedem atenção redobrada
O Banco Central reduziu a taxa Selic para 14% ao ano em agosto de 2026, quarto corte consecutivo. Mesmo assim, o crédito ao consumidor ainda é caro no Brasil. Isso significa que qualquer parcelamento no cartão de crédito — especialmente se a fatura não for paga integralmente — pode gerar juros significativos.
O ambiente de juros elevados também é um dos fatores que especialistas apontam como limitador para presentes mais caros neste Dia dos Pais. O consumo deve crescer, mas de forma moderada, justamente porque muitas famílias já estão comprometidas com outras dívidas.
Celebrar o Dia dos Pais com carinho não exige gastar além do que cabe no bolso. Planejar com antecedência, conhecer seus limites e escolher formas de pagamento conscientes são os melhores presentes que você pode dar — para o seu pai e para o seu orçamento.
Para saber mais, consulte as perguntas e respostas do SOS Consumidor.
Fontes consultadas
- G1 Economia: Dia dos Pais deve movimentar R$ 8,5 bilhões; quase metade dos consumidores pretende gastar mais
- G1 Economia: Selic a 14%: o que muda na sua prestação, no seu cartão e no seu dinheiro guardado? Entenda
Fonte: SOS Consumidor. Conteúdo original, pesquisado e revisado em 09/08/2026 com base nas fontes acima.
Fonte: SOS Consumidor - 09/08/2026
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