Lulinha, segurança pública e dívida: como foi a entrevista de Lula na Globo?
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Lulinha, segurança pública e dívida: como foi a entrevista de Lula na Globo?

Publicado em 28/08/2026 , por Exame

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Entre os principais pontos discutidos pelo petista e os jornalistas estavam as investigações da Polícia Federal (PF) ao seu filho Lulinha e o antigo chefe de gabinete, Marcola

Entre os principais pontos discutidos pelo petista e os jornalistas estavam as investigações da Polícia Federal (PF) ao seu filho Lulinha e o antigo chefe de gabinete, Marcola

Luiz Inácio Lula da Silva: presidente durante entrevista ao vivo no Jornal Nacional, na TV Globo. (Ricardo Stuckert/PR)

Última atualização em 28 de agosto de 2026 às 06h47.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participou nesta quinta-feira, 28, de uma entrevista ao Jornal Nacional, na TV Globo, parte do ciclo de sabatinas com candidatos à presidência.

Entre os principais pontos discutidos pelo petista e os jornalistas estavam as investigações da Polícia Federal (PF) ao seu filho Lulinha e o antigo chefe de gabinete Marcola, pautas sobre segurança pública, o tópico de responsabilidade fiscal, filas no INSS e o desenvolvimento tecnológico do país.

A sabatina foi a penúltima do Jornal Nacional, que já recebeu Romeu Zema (Novo), Ronaldo Caiado (PSD) e Renan Santos (Missão). Nesta sexta-feira, 28, será a vez de Flávio Bolsonaro (PL).

Inquéritos contra Lulinha são 'ilações', diz Lula

Logo de início, Lula discutiu as investigações da PF a duas figuras de seu núcleo próximo. O presidente afirmou que não irá afastar delegados nas apurações sobre as atividades seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, em casos envolvendo tráfico de influência e que os inquéritos contra ele são, até o momento, "ilações".

"Não haverá da parte da Presidência da República um milímetro de movimento para proteger meu filho", disse Lula.

Quanto ao antigo chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, o presidente afirmou que apenas ele "sabe a verdade" quanto ao suposto empréstimo da lobista Roberta Moreira Luchsinger, alvo da Polícia Federal.

"Eu disse para ele: 'cara, eu sou quase que nem seu pai. Por que você não falou comigo?'", afirmou. "Essa mulher conseguiu liberar o dinheiro que ela estava tentando? Aí é que estaria o crime."

Até o momento, não há menção a contratos efetivamente fechados com a intermediação de Luchsinger.

O petista afirmou também que que o caso de Lulinha é semelhante ao da operação Lava-Jato, na qual Lula foi preso e depois solto. "Eu fui acusado de ter um apartamento que eu não tinha, de ter uma chácara que não tinha", disse o presidente.

" O que não me deixo impactar é por ilações. Eu já fui vítima muito disso. Eu estou muito deprimido e muito chateado porque o meu filho sabe que não poderia cometer nenhum erro, e se cometeu, vai pagar. Porque o Marcola sabe que não poderia cometer nenhum erro e se cometeu, vai pagar", disse Lula.

Apesar disso, o presidente brasileiro assumiu que o caso leva suspeitas para dentro do Palácio do Planalto e "gera desconfiança".

As investigações ganharam dimensão política com a aproximação das eleições. Integrantes da cúpula do PT e aliados de Lula afirmaram à EXAME que o caso pode gerar desgaste para a campanha presidencial, embora considerem as suspeitas ainda especulativas. A estratégia de Lula de defender que o filho seja investigado e responda à Justiça caso tenha cometido alguma irregularidade é vista por aliados como uma forma de reduzir o impacto político do episódio.

'Se tem alguém nesse país que tem responsabilidade fiscal, sou eu'

Em seguida, o petista falou sobre a situal fiscal do Brasil. Ele afirmou que quando assumiu o governo em 2023 não havia "orçamento para governar" e que o país fechará o ano com um superávit primário.

"Eu herdei esse governo em janeiro de 2023 com déficit de 2,8%. Nesse ano teremos superávit primário de 0,1%", afirmou o petista. "Portanto, se tem alguém nesse país que tem responsabilidade fiscal, sou eu."

Lula afirmou que, dos países do G20, o Brasil foi o único que manteve o superávit primário por oito anos. "80% do PIB em dívida pública não é muito se olharmos para os Estados Unidos, para o Japão, para a Itália", disse o petista.

"A mim não preocupa a dívida pública", disse, complementando que uma parte do valor da dívida decorre da elevada taxa de juros. "Se tem uma coisa que baliza minha vida, chama-se responsabilidade fiscal."

O tema da política fiscal terá grande peso na campanha de Lula à reeleição. Investidores demonstraram preocupação com a evolução das despesas em um eventual novo mandato, enquanto o governo tenta apresentar os resultados fiscais e as medidas de ajuste como evidências de responsabilidade nas contas públicas.

As contas do Governo Central registraram superávit primário de R$ 10,8 bilhões em julho, segundo dados divulgados nesta quinta-feira, 27, pelo Tesouro Nacional. O resultado, que desconsidera os juros da dívida pública, foi o melhor para o mês desde 2022 e superou a expectativa do mercado, que previa déficit de R$ 5,5 bilhões.

Apesar do desempenho positivo, o acumulado de 2026 ainda é negativo, com déficit de R$ 81,3 bilhões. Em 12 meses, o rombo chega a R$ 71,6 bilhões, equivalente a 0,55% do Produto Interno Bruto (PIB).

A meta fiscal do ano prevê superávit de R$ 34,3 bilhões, ou 0,25% do PIB, mas a margem de tolerância permite que o governo cumpra formalmente a meta mesmo com resultado zero.

INSS: fila zerada e escândalo

Lula afirmou que pretende anunciar na próxima semana que a fila do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) foi zerada. Segundo ele, ainda haverá cerca de 250 mil pessoas aguardando, mas com prazo de até 45 dias, número que considera normal.

“Eu na semana que vem vou anunciar que a fila zerou. A espera de 45 dias vai estar apenas em 250 mil pessoas, que é o normal”, afirmou.

Lula ainda criticou o governo de Jair Bolsonaro (PL), ao afirmar que “desmontaram” a Previdência e o sistema de concessão de benefícios. “Nós vamos entregar agora a fila terminada na Previdência Social”, disse.

Ele ainda foi questionado sobre as investigações envolvendo descontos suspeitos em benefícios de aposentados e pensionistas. Mais de 60% dos descontos sob suspeita ocorreram durante o atual governo, e o então presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, está preso preventivamente e é investigado por crimes como corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

O presidente afirmou que o governo já devolveu R$ 3,5 bilhões aos beneficiários e que pretende recuperar os valores pagos aos envolvidos no esquema por meio dos bens apreendidos.

Segundo Lula, as irregularidades começaram em 2019 e foram investigadas durante dois anos pela Controladoria-Geral da União (CGU) e pela Polícia Federal (PF). Ele justificou a demora dizendo que uma investigação precisa ser concluída antes de uma denúncia para não alertar os suspeitos.

“Investigação demora. A explicação é que a CGU trabalhou com muita seriedade para investigar. Levou apenas dois anos. O dado concreto é que a quadrilha foi montada em 2019, foi presa por nós, descoberta por nós, os previdenciários receberam o seu dinheiro de volta e nós vamos receber o que a Previdência pagou para a quadrilha”, afirmou.

Questionado sobre o ex-ministro da Previdência Carlos Lupi, Lula disse que não pediu explicações a ele. Lupi deixou o governo após o caso vir à tona.

O presidente também foi questionado sobre ter aparecido recentemente ao lado de Lupi em um palanque e feito elogios ao ex-ministro. Lula respondeu que não vê impedimento em manter a relação com ele.

“Ele não está condenado. Ele é um cidadão livre. Você acha que você pode deixar de conversar com uma pessoa que é sua amiga, que cometeu um erro, sendo que a pessoa tem liberdade, não está condenado?”, disse.

O escândalo do INSS envolve descontos não autorizados em benefícios de aposentados e pensionistas. As investigações apuram a atuação de entidades que cobravam valores diretamente dos pagamentos dos beneficiários, em alguns casos sem que eles tivessem autorizado as cobranças. O caso levou a uma operação da Polícia Federal e da CGU e resultou na investigação e prisão preventiva de envolvidos.

Lula promete recuperar os Correios

Outro tópico levantado foi a reversão do processo de privatização dos Correios. Lula disse que não vai privatizar a estatal em um eventual quarto mandato, e prometeu que vai recuperar a empresa.

Para ele, os Correios "não se adaptaram aos novos tempos" e que perderam espaço para outras empresas de logística, mas defendeu o seu papel estratégico pela capilaridade em sua rede de serviços no interior do país.

"Se for necessário fazer associação com empresa, nós faremos. Com empresa brasileira, estrangeira, porque a gente quer é um Correios prestando serviço" disse Lula. O presidente também afirmou que desde 1985  "o correio brasileiro vive em crise" e que a proposta de privatização é recorrente.

Quanto ao plano de recuperação, o petista disse que a nova administração da estatal "está com a responsabilidade de fazer o enxugamento necessário nas contas", dado o déficit bilionário do serviço postal.

No início do mandato, em 2023, o presidente brasileio retirou sete empresas do Programa Nacional de Desestatização (PND) e três do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), entre elas, os Correios. As estatais foram incluídas nos programas de desestatização durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na educação, Lula ressaltou ações implementadas durante seu governo, entre elas a expansão das escolas de tempo integral, iniciativas de alfabetização, o programa Pé-de-Meia e a ampliação da rede de universidades e institutos federais. O presidente afirmou ter orgulho de seu histórico na área e disse que nenhum outro chefe do Executivo teria dado tanta atenção à educação.

Ao comentar levantamento do Todos Pela Educação que aponta que seis em cada dez estudantes da rede pública terminam o ensino médio sem domínio básico de matemática, Lula atribuiu a gestão da educação básica aos governos estaduais e citou Ceará e Piauí como referências de desempenho, ambos estados governados pelo PT.

“O Ceará e o Piauí são dois estados pobres que têm o melhor nível de educação nesse país. 40% dos alunos que passam no vestibular do ITA (Instituto Tecnológico de Aeronáutica) são cearenses? Por isso eu levei o ITA para Fortaleza, como premiação”, afirmou.

Lula disse que pretende criar um Ministério da Segurança Pública caso o Congresso aprove a PEC da Segurança Pública. Segundo ele, a pasta será criada na semana seguinte à aprovação da proposta.

Questionado sobre a expansão do crime organizado e sobre os resultados do PT na segurança pública da Bahia, governado pelo partido há 20 anos, Lula afirmou que nenhum governador conseguiu resolver o problema no país.

“Só vai conseguir se a gente tiver muito investimento inteligente. É isso que eu quero fazer”, disse.

Ao falar sobre a implementação de uma nova estrutura federal para a segurança, Lula ressaltou que a criação do ministério não produziria resultados imediatos e dependeria de recursos.

“Para a gente ter uma polícia eficiente e a gente acabar com o crime organizado, a gente vai ter que ter muito dinheiro”, afirmou.

Segundo o presidente, o governo federal também pretende aumentar a cooperação com países da América do Sul no combate ao narcotráfico e ao crime organizado. Lula afirmou ter levado ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, uma proposta para que os dois países trabalhem conjuntamente no enfrentamento desses crimes.

Horário eleitoral na TV e no rádio começa nesta sexta com Lu

Fonte: Exame Online - 27/08/2026

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