Futuro da Selic depende do governo Lula após Copom manter taxa em 13,75%, dizem analistas
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Futuro da Selic depende do governo Lula após Copom manter taxa em 13,75%, dizem analistas

Publicado em 05/11/2026 , por Folha Online

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A decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) de interromper o ciclo de cortes nos juros e manter a Selic em 13,75% ao ano nesta quarta-feira (4) mostra que o futuro da taxa depende menos do Banco Central e mais do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmam analistas do mercado financeiro e especialistas que acompanham a política monetária.

A pausa era esperada pelo mercado depois da alta do dólar e da piora das expectativas de inflação que vieram após o resultado do segundo turno das eleições, e um eventual corte em dezembro só deve acontecer a depender dos anúncios do governo na área econômica.

Representantes do setor produtivo e parte dos economistas dizem, no entanto, que o BC perdeu a chance de continuar reduzindo a taxa, já que a atividade econômica mostra sinais de desaceleração e a alta recente da inflação está mais ligada a choques temporários.

O Copom justificou a decisão pela piora do cenário externo, com o prolongamento dos conflitos no Oriente Médio, e pela inflação doméstica. Projeções coletadas pelo Boletim Focus veem o IPCA acima do teto da meta de 4,5% da autoridade monetária —5,2% para 2026 e 4,8% para 2027.

André Braz, coordenador dos índices de preços do Ibre/FGV, diz que a aceleração da inflação antes das eleições veio de choques de oferta temporários e já esperados em alimentos.

Para ele, porém, o governo Lula não pode perder tempo e precisa dizer logo o que fará no curto prazo e qual será a política econômica de médio e longo prazo, o que poderia permitir a continuidade do ciclo de cortes. Ele diz que uma Selic de 13,5% já seria muito alta mesmo com as expectativas de inflação piores.

Na avaliação do economista, a decisão do Copom serviu mais para acalmar um mercado traumatizado com os erros das próprias decisões.

Rafael Cardoso, economista-chefe do Daycoval, diz que a manutenção da Selic já era esperada. Segundo ele, o comunicado sinaliza pouco sobre quais serão as próximas decisões.

Ele diz que o BC acerta ao não indicar claramente qual será seu próximo passo, porque a incerteza é grande e o câmbio está muito volátil. Sem assumir nenhum compromisso, o BC poderia retomar a queda da Selic no futuro.

Para Adriana Dupita, economista para mercados emergentes da Bloomberg, a manutenção da Selic cumpre os dois papéis que cabem ao Banco Central neste momento: demonstrar compromisso com a meta de inflação e não alimentar a volatilidade.

"O ideal é manter o maior espaço de ação possível porque as circunstâncias podem mudar. Isso significa não se comprometer com próximos passos".

Dupita diz que não cabe ao BC dizer como a política fiscal deveria ser, só reagir às consequências dela para a inflação, e que isso é algo que a atual gestão entende bem.

Segundo a economista, a reação do mercado à reeleição de Lula foi exagerada e sem substância, mas tem efeitos concretos.

"Essa sobrerreação, na forma de câmbio pressionado e curva de juros deslocada, piora o próprio quadro fiscal. É um círculo vicioso."

Ela afirma que a melhor forma de quebrar esse ciclo é o governo anunciar seus planos rapidamente. "Ainda que seja só uma carta de intenções, se ela tiver credibilidade, já ajuda."

Para Felipe Salles, do C6 Bank, o Copom vai "parar, observar, vai ver como o cenário evolui para então definir os próximos passos de política monetária".

Alex Agostini, economista-chefe da Austin Rating, afirma que o comunicado que acompanha a decisão pesa mais do que a manutenção dos juros em si, principalmente para quem investe em títulos públicos.

"Até porque o mercado já fez o serviço sujo, que foi envergar a curva de juros", diz.

Felipe Queiroz, economista-chefe da Apas (Associação Paulista de Supermercados), critica a demora do Copom em cortar a Selic.

Ele afirma que a inflação está controlada e que os juros reais do país estão entre os maiores do mundo. Segundo ele, isso favorece o setor financeiro e prejudica comércio, serviços, indústria, consumo das famílias e investimentos.

Paulo Skaf, presidente da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), disse que a decisão é um aperto monetário desmedido. Para ele, a medida pune quem produz e consome. Skaf diz que o crédito para empresas e empreendedores, na casa dos 30% de juros ao ano, inviabiliza investimentos e que o endividamento recorde de famílias e empresas piora a cada mês.

Ele defende uma readequação urgente das políticas monetária e fiscal para levar a Selic a níveis toleráveis e devolver competitividade à economia.

Fonte: Folha Online - 05/11/2026

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