Orplana defende flexibilização da jornada no setor sucroenergético
Publicado em 06/11/2026 , por CNN Brasil
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Automação e robotização são apontadas como alternativas à nova escala 5X2 e à escassez de mão de obra no campo
A implementação das novas regras de jornada de trabalho, a reforma tributária e a pressão sobre a rentabilidade dos fornecedores estão entre as atuais preocupações da Orplana (Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil).
A entidade, que reúne 35 associações e representa aproximadamente 12,5 mil produtores de cana-de-açúcar, acompanha as discussões sobre os impactos das novas regras para o setor sucroenergético.
Contexto oficial: a Emenda Constitucional 141/2026 foi promulgada em 16 de outubro de 2026. A norma prevê, após 60 dias, jornada máxima de 42 horas semanais e dois dias de repouso remunerado. Quatorze meses após a promulgação, o limite passa a 40 horas semanais, sem redução salarial.
A transição para a jornada com dois dias de descanso por semana é uma das maiores preocupações do setor.
A Orplana defende que as particularidades do calendário agrícola sejam consideradas na regulamentação e nas negociações coletivas, especialmente nos períodos de safra. A própria emenda permite que convenções e acordos coletivos estabeleçam regimes compensatórios, desde que garantam, na média mensal, dois dias de repouso por semana e ao menos um dia de descanso a cada sete.
Um dos pleitos é permitir maior flexibilidade na realização de horas extras para atender às demandas sazonais das atividades no campo e nas unidades industriais.
A preocupação está relacionada à dificuldade de contratação e retenção de trabalhadores. Segundo a entidade, a escassez de mão de obra já é uma realidade em diferentes cadeias do agronegócio e pode se agravar com mudanças nas regras de jornada.
Robotização aparece como alternativa à falta de trabalhadores
Diante das dificuldades de contratação, a Orplana aponta a automação e a robotização como caminhos para aumentar a eficiência das operações e melhorar as condições de trabalho.
A proposta é transferir parte das atividades mais desgastantes, realizadas diretamente no campo, para equipamentos autônomos, mantendo os trabalhadores em funções de monitoramento e controle.
Entre as tecnologias já disponíveis estão tratores com operação autônoma para atividades como aragem, gradagem e colheita, além de robôs utilizados na aplicação de herbicidas.
Um dos equipamentos citados pela entidade utiliza câmeras e painéis solares para identificar e realizar aplicações direcionadas contra plantas daninhas. O custo de um desses robôs pode chegar a R$ 350 mil, com capacidade de atender áreas superiores a 100 hectares.
A Orplana também menciona tecnologias desenvolvidas por empresas que atuam em parceria com fabricantes de máquinas agrícolas, como a John Deere, para ampliar a operação autônoma de tratores.
Apesar dos avanços, o custo de aquisição dos equipamentos e as condições de financiamento ainda limitam a disseminação dessas soluções no Brasil.
Outro ponto de atenção é a tributação das bebidas açucaradas pelo Imposto Seletivo, conhecido como imposto do pecado. Embora o açúcar tenha sido incluído na cesta básica nacional, as bebidas que utilizam o produto como matéria-prima poderão sofrer tributação adicional.
Uma das possíveis respostas da indústria de bebidas pode ser a redução da quantidade de açúcar nas formulações para se adaptar às novas regras.
"Qualquer redução na demanda impacta o setor, mas as exportações seguem em alta e mercados da África e da Ásia continuam apresentando crescimento no consumo de açúcar, o que pode compensar parte da retração no Brasil e também de outros compradores internacionais, como Europa e Estados Unidos", avalia José Guilherme Nogueira, diretor da entidade.
Rentabilidade dos fornecedores está sob pressão
A situação econômica dos produtores também preocupa a entidade. Segundo a Orplana, a rentabilidade da produção de cana está negativa em aproximadamente R$ 3 mil por hectare na safra atual.
Entre os fatores apontados estão o aumento dos gastos com fertilizantes, lubrificantes, diesel e transporte. O encarecimento do frete também elevou o custo de entrega de insumos como calcário e gesso, mesmo sem alterações equivalentes nos preços desses produtos.
Para reduzir a exposição dos fornecedores aos riscos da atividade, a entidade defende o fortalecimento do seguro rural.
Na avaliação da organização, o orçamento de aproximadamente R$ 1 bilhão destinado à subvenção ao seguro é insuficiente para ampliar a proteção dos produtores. Nogueira calcula que seriam necessários mais de R$ 3 bilhões para oferecer uma cobertura mais abrangente.
Os valores de rentabilidade negativa por hectare e de necessidade de recursos para o seguro rural são estimativas apresentadas pela Orplana, e não dados oficiais do governo.
Fonte: CNN Brasil - 06/11/2026
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