Anac diz que vai reforçar fiscalização de voos após acidentes com helicópteros no Rio
Publicado em 11/08/2026 , por Folha Online
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A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) decidiu reforçar a fiscalização sobre empresas que realizam voos panorâmicos no Rio de Janeiro, após a sequência recente de acidentes envolvendo helicópteros na cidade.
Segundo a agência, a fiscalização será concentrada nas operações de Serviços Aéreos Especializados (SAE), especialmente aquelas voltadas aos passeios panorâmicos. A intenção é verificar as condições das aeronaves, a situação dos pilotos e a regularidade das empresas que prestam esses serviços.
"A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) esclarece que está reforçando a fiscalização nas empresas que fazem voos panorâmicos na cidade do Rio de Janeiro", afirmou o órgão.
De acordo com a Anac, a medida foi tomada em reação direta aos acidentes recentes registrados na cidade. A agência informou que "pretende verificar a situação das aeronaves, dos pilotos e das empresas que operam no segmento de Serviços Aéreos Especializados (SAE), especialmente em voos panorâmicos".
A decisão ocorre depois da queda de um helicóptero na manhã de sábado (8), em uma área de mata próxima à Vista Chinesa, na zona sul do Rio. A aeronave realizava um voo panorâmico turístico em uma região próxima ao Cristo Redentor quando caiu e pegou fogo. Quatro pessoas morreram: o piloto Alessandro Rocha e três turistas colombianas da mesma família, Sofia Murillo, 17, Wendy Manrique, 37, e Rocio Cubillos, 59.
O serviço era prestado pela Voos Rio Panorâmicos e Serviços Aeronáuticos (VRP). Segundo o advogado da empresa, Bernardo Cortez, tanto a companhia quanto a aeronave e o piloto estavam com a documentação regular. "Não temos informação sobre o que aconteceu. Posso informar que a empresa tinha toda a documentação em dia", afirmou.
A própria Anac havia informado, após o acidente, que o helicóptero tinha certificado de aeronavegabilidade válido e autorização para realizar voos panorâmicos. A apuração das causas da queda caberá ao Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos).
Após o acidente, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere (PSD), chegou a defender a possibilidade de uma suspensão temporária desses voos para permitir uma fiscalização mais ampla de aeronaves e helipontos.
"Solicitei ao presidente da Anac que tome providências imediatas. A gente tem um aumento de voos panorâmicos, de táxi-aéreo em geral na cidade do Rio de Janeiro. Quero crer que a Anac vai tomar essas medidas, inclusive com a possibilidade de suspensão de voos panorâmicos por uma, duas semanas para fazer uma fiscalização mais intensa nos helipontos, na manutenção dessas aeronaves, para que possamos ter segurança dos turistas que visitam a cidade e da população", afirmou Cavaliere.
A Anac não informou sobre eventual suspensão de voos. A medida anunciada pela agência, por enquanto, é reforço da fiscalização em empresas, aeronaves e pilotos. A agência também já havia informado que está em contato com a prefeitura do Rio para uma atuação conjunta.
O acidente da Vista Chinesa foi o segundo envolvendo helicópteros no Rio em um intervalo de apenas dois meses. Em junho, a colisão entre duas aeronaves matou seis pessoas na Barra da Tijuca, na zona oeste. Naquele caso, os helicópteros realizavam transporte de passageiros para outras cidades do estado.
Dados do Cenipa mostram uma concentração elevada de ocorrências envolvendo esse tipo de aeronave no estado. Entre janeiro de 2025 e junho de 2026, foram registrados 317 acidentes e incidentes com helicópteros no Brasil. Desse total, 204 ocorreram no Rio de Janeiro, o equivalente a 64%. Só em 2026, até junho, foram 62 ocorrências no estado.
O volume de operações também é elevado. De janeiro a maio deste ano, foram registradas 81 mil movimentações de helicópteros em 11 aeródromos do estado. A atividade é puxada principalmente pela operação petrolífera na costa fluminense, além da demanda turística.
No país inteiro, o tráfego de helicópteros também vem crescendo. Foram 160 mil pousos e decolagens nos primeiros cinco meses de 2026, alta de 3,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em 2021, eram 104 mil movimentações no mesmo intervalo, indicando uma expansão contínua da atividade nos últimos anos.
A Polícia Civil também investiga o acidente ocorrido no sábado. Paralelamente, o Cenipa conduz a investigação técnica para identificar fatores que contribuíram para a queda da aeronave.
Fonte: Folha Online - 10/08/2026
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