Seguro do carro cobre alagamento? Veja quando há direito à indenização
Publicado em 27/08/2026 , por Estadao
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Chuvas intensas e ventos de mais de 100 km/h foram responsáveis por algumas tragédias recentes no Sul e Sudeste do Brasil. Fenômenos climáticos extremos como esse merecem ainda mais atenção, uma vez que o El Niño poderá agravá-los a partir da primavera.
Esses eventos climáticos são difíceis de prever e podem pegar motoristas desprevenidos. No retorno do trabalho, por exemplo, pode haver uma rua alagada no meio do caminho. Ou então, os ventos fortes podem causar algum dano ao carro.
Para situações como essa, existe o seguro automotivo , que pode cobrir os danos causados por tempestades, alagamentos ou ventanias. No entanto, especialistas recomendam sempre ficar atento ao seu contrato.
"É importante que o cliente confira as condições da apólice no momento da contratação, pois existem diferentes modalidades de cobertura no mercado e nem todas oferecem o mesmo nível de proteção. A cobertura compreensiva contempla tanto danos parciais, com reparação do veículo, quanto situações de indenização integral, conforme os critérios estabelecidos nas condições do seguro", explica o diretor de produtos da Bradesco Seguros, Saint'Clair Lima.
O que fazer em caso de alagamentos? É muito importante tomar a decisão certa ao passar por uma situação de alagamento. Ao ver uma área alagada, a principal recomendação é não tentar atravessar o local.
Se possível, procure um local seguro e, principalmente, longe de qualquer correnteza ou ponto em que o nível da água esteja subindo. Tentar atravessar a região alagada pode fazer você perder a cobertura do seguro por um eventual dano ao veículo.
Isso, porém, não significa que qualquer dano causado por alagamento resulte automaticamente na perda da cobertura. A seguradora também avaliará as circunstâncias do ocorrido e as condições previstas na apólice.
"A cobertura depende das condições contratadas e das circunstâncias do evento. Entre os aspectos analisados está a caracterização de eventual agravamento do risco. Um exemplo é a tentativa de atravessar uma área claramente alagada quando havia possibilidade de interromper o deslocamento e buscar um local seguro", explica Lima.
Nesse caso, o chamado agravamento do risco ocorre quando o segurado adota uma conduta que aumenta deliberadamente a possibilidade de o veículo sofrer danos, como insistir em atravessar uma área alagada quando já seria possível interromper o trajeto.
Porém, há situações em que o carro está estacionado e a rua começa a alagar. Nesse caso, a prioridade é buscar um lugar seguro e, em hipótese nenhuma, tentar salvar o carro. Após a situação se normalizar, a recomendação do especialista é não tentar ligar o motor: "A entrada de água pode provocar danos aos componentes mecânicos e elétricos, e uma nova tentativa de partida pode agravar o problema", orienta Lima.
Também é importante registrar o ocorrido com fotos e acionar a seguradora. A empresa poderá providenciar a retirada do veículo do local e encaminhá-lo para uma avaliação, na qual serão verificados os danos provocados pelo alagamento.
Como o motorista pode se preparar antes de um período de chuvas intensas? De acordo com Lima, a melhor prevenção é manter a manutenção em dia: "Pneus em boas condições, sistema de freios revisado, palhetas do limpador funcionando adequadamente e iluminação em ordem são importantes para garantir maior segurança em condições adversas".
Também é importante ficar de olho na previsão do tempo. Evite sair de casa quando houver alertas de tempestades e ventanias. Caso o deslocamento seja inevitável, trace rotas alternativas que fujam de locais de risco e tente não parar o veículo próximo às árvores.
Seguro do carro contra alagamento fica mais caro? O evento que causou o dano no veículo não influencia, por si só, o valor da cobertura. Conforme explica Lima, essa é uma questão que depende do contrato firmado com a seguradora.
"O valor de contratação de um seguro pode variar e é influenciado por diversos fatores, incluindo as coberturas escolhidas, a extensão da proteção, o tipo de seguro e diversas outras variáveis. Portanto, é comum que o valor do seguro seja personalizado de acordo com as necessidades e preferências do segurado", explica o especialista.
A forma de indenização também depende do que foi estabelecido na apólice. O dano pode ser considerado parcial quando o veículo ainda pode ser reparado dentro dos parâmetros previstos no contrato. Nesse caso, os prejuízos podem envolver reparação, limpeza e higienização do veículo.
Já quando o prejuízo atinge o percentual previsto na apólice para caracterizar perda total, o segurado recebe a indenização integral. Por isso, antes de contratar o seguro, é importante conferir quais situações estão cobertas, os critérios para indenização e as condições que podem interferir no pagamento em caso de alagamento ou outro evento climático.
Fonte: Estadão - 27/08/2026
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