Governo processa Discord e pede R$ 500 milhões por danos morais coletivos
Publicado em 27/08/2026 , por Folha Online
Pronto para ler a matéria.
O governo Lula (PT) decidiu processar o Discord e pedir R$ 500 milhões por danos morais coletivos, após fracassada a negociação para assinatura de um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) que buscava adequar as funcionalidades da plataforma às regras brasileiras, encerrar investigações em curso e evitar novas punições.
O valor corresponde a R$ 50 milhões para cada uma das dez infrações que, segundo o governo, foram identificadas, documentadas e incluídas na ação. Entre elas, há falhas na verificação de idade, ausência de vinculação de crianças e adolescentes a responsáveis legais e omissão na comunicação de casos às autoridades. As quantias seriam revertidas ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos.
Em nota, a empresa disse que a ação é desproporcional e "não reflete de forma precisa a abordagem do Discord em relação à segurança e ao cumprimento da legislação brasileira".
"Temos mantido, de forma consistente e de boa-fé, um diálogo com a Advocacia-Geral da União e apresentamos uma proposta detalhada para reforçar a segurança no Discord por meio de mudanças técnicas e de um investimento financeiro em segurança online no Brasil", declarou.
A negociação envolvia Ministério da Justiça e AGU (Advocacia-Geral da União) e não conta com a participação da ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados), que segue com seu processo.
Segundo o advogado-geral da União, Jorge Messias, o Estado brasileiro não pode tolerar que "verdadeiras cracolândias digitais" sejam criadas num ambiente virtual brasileiro.
Ele diz que a plataforma chegou a demonstrar disposição para assumir compromissos, mas recuou na etapa final das negociações.
"A empresa, no primeiro momento, demonstrou o interesse de assumir compromissos significativos com o Estado brasileiro, mas, infelizmente, recusou a assinatura do termo no último momento. Portanto, não nos restou outra saída senão a apresentação ou ingresso de uma ação civil pública", afirmou.
Segundo pessoas que acompanham as discussões, as propostas apresentadas pelo Discord foram consideradas insuficientes para viabilizar um acordo. A avaliação é que a companhia não se comprometeu com mudanças significativas em seu funcionamento.
Por isso, nesta quarta-feira (26), o Ministério da Justiça e a Advocacia-Geral da União decidiram agir, anunciando uma ação civil pública contra a empresa para obrigá-la a cumprir a legislação brasileira. A medida foi decidida em um encontro entre o presidente Lula e Messias, durante a manhã.
Protocolada na Justiça Federal em Brasília, a ação civil pública pede que o Discord seja condenado a pagar o valor por falhas de segurança e por, segundo o governo federal, permitir que a plataforma seja utilizada para a prática e a articulação de crimes.
De acordo com o governo, a empresa tem falhado de forma sistemática no cumprimento de exigências previstas na legislação brasileira, especialmente no Marco Civil da Internet e no ECA Digital.
Investigações das forças de segurança identificaram o uso da plataforma para a exposição de crianças e adolescentes a redes criminosas, incentivo à automutilação e ao suicídio e compartilhamento de conteúdos de violência explícita.
Antes de recorrer à Justiça, o governo tentou durante duas semanas negociar com o Discord a assinatura de um TAC, pelo qual a empresa assumiria voluntariamente compromissos para adequar suas práticas à legislação brasileira.
Além da indenização, o governo pediu uma medida de urgência para obrigar a plataforma a adotar imediatamente medidas de adequação à legislação de proteção de crianças e adolescentes no prazo de 15 dias, sob pena de multa diária de R$ 500 mil.
O ministro da Justiça, Wellington Lima e Silva, afirmou que a ação é também resultado de investigações e operações de inteligência, entre elas a Operação Lívia, que identificou diferentes práticas criminosas articuladas por meio da plataforma.
"Esta resposta que está sendo dada em conjunto pela Advocacia-Geral da União e Ministério da Justiça é uma resposta de Estado. É uma resposta que busca fazer valer que qualquer plataforma nacional ou estrangeira não venha a descuidar dos limites impostos pela lei", disse.
Victor Fernandes, secretário Nacional de Direito Digital do Ministério da Justiça, disse que a ação foi fundamentada em uma série de falhas sistêmicas e estruturais em sua arquitetura de segurança, que violam diretamente as diretrizes protetivas à infância estabelecidas na legislação brasileira.
"O Ciberlab produziu mais de 115 relatórios técnicos de inteligência [entre 2025 e 2026] envolvendo casos de indução ao suicídio, automutilação, maus-tratos e sacrifícios de animais envolvendo essa plataforma", disse.
O acordo ocorreria em meio ao cerco das autoridades brasileiras ao Discord após a morte de uma adolescente de 13 anos em Mato Grosso do Sul.
A jovem teria sido induzida por outros adolescentes à automutilação e ao suicídio em cenas exibidas pela plataforma. O caso levou a primeira-dama da República, Janja Lula da Silva, a pedir o bloqueio do aplicativo no país.
Em 12 de agosto, a ANPD determinou que o Discord suspendesse as transmissões ao vivo e outros recursos de vídeo no Brasil.
A medida, adotada no âmbito da fiscalização aberta pela agência, exige que as funcionalidades permaneçam desativadas até que a empresa comprove a adoção de medidas efetivas para proteger crianças e adolescentes. Os dois processos, porém, são diferentes.
A decisão de suspender as lives foi tomada pela Superintendência de Fiscalização da ANPD, que afirma ter reunido indícios de que o Discord não adotou mecanismos suficientes para proteger crianças e adolescentes de conteúdos e interações de risco.
Entre os problemas apontados estão a exposição de menores a conteúdos relacionados à violência, automutilação e suicídio.
Segundo a agência, as transmissões ao vivo foram alvo da medida emergencial por terem sido usadas de forma recorrente para a prática de crimes graves, com riscos à integridade física e mental de menores de 18 anos.
Nota técnica da ANPD concluiu que o Discord não tem ferramentas que viabilizem mecanismos de análise de conteúdo e detecção de violações em tempo real.
Em seu site, o Discord se apresenta como uma plataforma social voltada a jogos, na qual mais de 90 milhões de pessoas e comunidades se comunicam diariamente por texto, voz e videochamadas.
Fonte: Folha Online - 26/08/2026
Notícias relacionadas
- 27/08/2026 Governo processa Discord e pede R$ 500 milhões por danos morais coletivos
- 27/08/2026 Flávio Bolsonaro terá programa para endividados e regra fiscal, diz Daniella Marques
- 27/08/2026 Dívida pública federal cresce 0,22% em julho e atinge R$ 9,28 trilhões
- 27/08/2026 IPCA-15: preços caem 0,40% em agosto, com conta de luz, gasolina e alimentos mais baratos
- 27/08/2026 Justiça libera R$ 2,75 bilhões para atrasados do INSS; veja quem tem direito e como receber
- 27/08/2026 Cartas de Leitores
- 27/08/2026 De tarifa zero a ampliar o metrô: como candidatos ao GDF querem mudar o transporte público
- 27/08/2026 Deputados argentinos aprovam reforma de Milei para limitar emissão monetária
- 26/08/2026 STF confirma que devedor contumaz não pode pedir recuperação judicial; entenda a regra
- 26/08/2026 Empresas brasileiras afetadas por tarifaço têm drawback estendido por um ano; veja quem tem direito
Notícias
- 27/08/2026 Prévia da inflação de agosto é de -0,40%, informa IBGE
- Dona de Habib's e Ragazzo entra em recuperação judicial
- IPCA-15: preços caem 0,40% em agosto, com conta de luz, gasolina e alimentos mais baratos
- Carbono Oculto: MPSP denuncia 16 por adulteração de combustível e lavagem
- Seguro do carro cobre alagamento? Veja quando há direito à indenização
Perguntas e Respostas
- Quanto tempo o nome fica cadastrado no SPC, SERASA e SCPC?
- A consulta ao SPC, SERASA ou SCPC é gratuita?
- Saiba quais os bens não podem ser penhorados para pagar dívidas
- Após quantos dias de atraso o credor pode inserir o nome do consumidor no SPC ou SERASA?
- Protesto de dívida prescrita é ilegal e dá direito a indenização por danos morais
- Como consultar SPC, SERASA ou SCPC?
- ACORDO - Em caso de acordo, após o pagamento da primeira parcela o credor é obrigado a tirar o nome do devedor dos cadastros de SPC e SERASA ou pode mantê-lo cadastrado até o pagamento da última parcela?
- CHEQUE – Não encontro à pessoa para qual passei um cheque que voltou por falta de fundos. O que posso fazer para pagar este cheque e regularizar minha situação?
- Problemas com dívidas? Dicas para você não entrar em desespero
- PROTESTO - Qual o prazo para o protesto de um cheque, nota promissória ou duplicata? O protesto renova o prazo de prescrição ou de inscrição no SPC e SERASA?
- Cartão de Crédito: Procedimentos em caso de perda, roubo ou clonagem
- O que o consumidor pode fazer quando seu nome continua incluído na SERASA ou no SPC após o pagamento de uma dívida ou depois de 5 anos?
- Posso ser preso por dívidas ?
- SPC e SERASA, como saber se seu nome está inscrito?
- Acordo – Paga a primeira parcela nome deve ser excluído dos cadastros negativos (SPC, SERASA, etc)
