Quadrilha pedia até encerramento de cartão de crédito em processos fraudados para lucrar com bancos, diz advogado de vítimas
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Quadrilha pedia até encerramento de cartão de crédito em processos fraudados para lucrar com bancos, diz advogado de vítimas

Publicado em 07/05/2026 , por G1

Ajuizamento de processos em massa era uma das práticas do grupo alvo da segunda fase da Operação Têmis, segundo representante de instituições financeiras lesadas.

Ações que poderiam ser resolvidas por vias administrativas, como aumento de limite da conta ou cancelamento do cartão de crédito, estão entre os milhares de processos ajuizados contra instituições financeiras por uma quadrilha do interior de São Paulo investigada por lucrar com fraudes judiciais.

Segundo o advogado Walter Silveira Moraes, que representa alguns dos bancos prejudicados pelo esquema criminoso, o ajuizamento em massa de processos, ainda que com baixa possibilidade de ganho de causa, é uma das práticas associadas ao grupo, que foi alvo da segunda fase da Operação Têmis, na região de Ribeirão Preto (SP), esta semana.

É o que, segundo ele, se define como uma litigância abusiva em larga escala, ou seja, a apresentação de ações desnecessárias que distorcem o uso do poder judiciário, seja para obtenção de vantagens indevidas, seja para confundir a Justiça ou tumultuar processos.

Segundo o Ministério Público, apenas um dos advogados investigados tinha entrado com mais de 10 mil ações em 237 foros distintos.

Quadrilha investigada por fraudes judiciais contra bancos usou dados de idoso doente

Apenas contra os dois bancos que ele representa foram pelo menos 2 mil processos contabilizados. Número que deve mudar com o avanço das investigações, assim como o prejuízo dos bancos, ainda não calculado.

Ao todo, foram cumpridos na quarta-feira (6) seis mandados de prisão preventiva e 20 mandados de busca e apreensão nas cidades de Ribeirão Preto, Igarapava e Sertãozinho.

As prisões ocorreram no âmbito da segunda fase da Operação Têmis, realizada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. A primeira fase aconteceu em 2018, quando as investigações constataram golpes que causaram prejuízo de R$ 100 milhões a instituições bancárias. Os alvos dos mandados de prisão nesta quarta-feira foram:

  • Klaus Philipp Lodoli(suspeito de ser líder da organização criminosa)
  • Rafael de Jesus Moreira
  • Carlos Renato Lira Buosi
  • Daiane Cristina Rosa
  • Carine Costa e Silva Araújo
  • Donizete Gomes da Silva

Dentre eles, Klaus, Rafael, Carlos Buosi e Carine são advogados. Os mandados foram cumpridos em residências, empresas e escritórios de advocacia dos suspeitos. Entre as apreensões estão quatro veículos, além de documentos, computadores e celulares, que serão analisados.

Além disso, a Justiça autorizou preventivamente o bloqueio de R$ 25 milhões de bens e contas bancárias em nome dos investigados.

Os investigados respondem por organização criminosa, estelionato, falsidade ideológica, fraude processual, lavagem de dinheiro e violação de sigilo de dados.

Na chegada à delegacia, Carlos disse estar tranquilo e que irá provar a inocência. "Estou tranquilo, não tem nada de mais, vou provar que essa acusação quanto à minha pessoa é infundada."

A reportagem procurou as defesas dos demais investigados, mas não obtere retorno até a publicação desta notícia.

Moraes explica que, no caso dos dois bancos que ele representa, as suspeitas de fraude começaram a aparecer principalmente depois da pandemia, em 2022, quando o número de processos contra as instituições bancárias chamou a atenção.

Com isso, alguns detalhes causaram estranheza, principalmente:

  • o número reiterado deprocessos ajuizados pelos mesmos advogados;
  • múltiplosprocessos ajuizados em nome das mesmas pessoas;
  • irregularidades navalidação de procurações eletrônicas;
  • divergência de assinaturasnas procurações físicas.

Diante disso, segundo ele, na expectativa de apurar o que estava acontecendo, os bancos solicitaram à Justiça que os autores dos processos fossem chamados para confirmar informações sobre as causas.

A partir de então, de acordo com o advogado, as instituições começaram a confirmar que estavam sendo vítimas de fraudes e acionaram o Ministério Público.

Prejuízos grandes, mas ainda não contabilizados

Segundo o advogado, até por conta da natureza das fraudes, é preciso mais tempo para contabilizar os danos causados aos bancos. Além dos eventuais ganhos de causa - que representam a minoria das ações -, as instituições tiveram gastos com honorários advocatícios.

Embora não seja possível dimensionar esses gastos, a título de ilustração, segundo a tabela da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-SP), é possível saber, por exemplo, que apenas uma consulta de uma empresa a um advogado sobre um determinado processo custa R$ 539.

Moraes destaca ainda os prejuízos aos cofres públicos, com os custos que os processos demandam para o próprio poder judiciário.

"Os tribunais de justiça já estimaram que um processo na justiça estadual custa para os cofres públicos na casa de R$ 10 mil."

Fonte: G1 - 07/05/2026

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