Meta concorda em pagar até US$ 18 bi para encerrar julgamento sobre redes sociais 'viciantes' para crianças e adolescentes
Publicado em 27/08/2026 , por BBC Brasil
Pronto para ler a matéria.
Empresa comandada por Mark Zuckerberg concordou em pagar multa bilionária, embora tenha rejeitado as acusações de que violou leis de proteção à criança e de privacidade.
A Meta concordou em pagar até US$ 18 bilhões (cerca de R$ 90 bi) em um acordo após ser acusada judicialmente nos Estados Unidos de violar leis de proteção à criança na gestão de suas mídias sociais.
Além disso, comprometeu-se a implementar medidas em contas de menores de idade como bloquear o uso de aplicativos durante a madrugada, excluir filtros com fins estéticos e deixar de mostrar o número de curtidas.
A empresa, dona do Facebook e Instagram, vem negando as acusações, mas concordou em pagar o valor bilionário, uma quantia recorde no setor de plataformas digitais, para encerrar uma ação coletiva movida por 29 Estados americanos contra a empresa comandada por Mark Zuckerberg.
"Discordamos veementemente dessas alegações e estamos confiantes de que as evidências demonstrarão nosso compromisso de longa data com o apoio aos jovens", disse um porta-voz da empresa em comunicado.
De acordo com o procurador-geral da Califórnia, um dos Estados que processaram a empresa, o acordo prevê:
A empresa também se comprometeu a melhorar os mecanismos de verificação de idade dos usuários e de exclusão de contas de menores de 13 anos.
De acordo com o site jornalístico Politico, essas mudanças serão por ora aplicadas apenas nos Estados Unidos.
A Meta foi acusada pelos Estados americanos de projetar o Facebook e o Instagram para serem viciantes para crianças e adolescentes, com recursos criados para mantê-los nas plataformas o máximo de tempo possível — como as notificações frequentes, os Stories e os vídeos com reprodução automática.
A empresa também foi acusada de coletar e usar indevidamente dados pessoais de crianças enquanto elas usavam o Facebook e o Instagram. Tudo isso constitui uma violação das leis federais e estaduais dos EUA para proteção da privacidade de menores.
Além de pagar US$ 17,1 bilhões diretamente a 48 Estados, Washington, D.C. e três territórios dos EUA, a Meta concordou em contribuir para um fundo comum caso outras duas plataformas, YouTube e TikTok, também implementem mecanismos de controle mais rigorosos.
Os procuradores-gerais dos Estados e territórios dos EUA que processaram a Meta comemoraram o acordo firmado em um tribunal de Nova York.
O procurador-geral de Washington D.C., Brian Schwalb, afirmou que se trata de "uma vitória monumental para a saúde pública dos jovens".
"A Meta explorou crianças intencionalmente para obter lucro e depois mentiu sobre isso, alegando que seus produtos eram seguros, quando sua própria pesquisa interna confirmou que as plataformas eram viciantes e prejudiciais", declarou Schwalb.
"Os recursos de segurança que a Meta será obrigada a implementar mudarão fundamental e imediatamente a forma como os jovens usam o Instagram e o Facebook."
O procurador-geral afirmou que a Meta é apenas a "primeira plataforma a se dispor a negociar" e a concordar com as mudanças, indicando que outras empresas do setor fazem práticas semelhantes.
A Meta declarou em um comunicado que o acordo é um "passo importante" e que espera estabelecer um novo "padrão do setor" por meio do acordo.
"Garantir que os adolescentes tenham uma experiência segura e produtiva em nossas plataformas é absolutamente essencial para a Meta. Queremos fazer o que é certo tanto para os pais quanto para os adolescentes", afirmou a empresa.
A companhia mencionou diretamente o TikTok e o YouTube como outras plataformas que deveriam implementar as mesmas restrições.
"Sabemos que, quando o acesso dos adolescentes a um aplicativo é restrito, eles simplesmente migram para outro", afirmou a empresa.
Por Zoe Kleinman, Editora de Tecnologia e IA
A Meta lutou arduamente, por meio de múltiplos processos judiciais que se arrastaram por meses a um custo altíssimo, para manter sua imagem de empresa comprometida com a proteção de crianças em suas plataformas.
Suas redes sociais são parte essencial de seus negócios: seus bilhões de usuários fornecem uma mina de ouro de dados que podem ser usados tanto para vender anúncios quanto para treinar seus produtos de inteligência artificial (IA).
Pode parecer que agora a empresa está totalmente focada em IA, mas não se engane: ela ainda precisa de suas mídias sociais para gerar receita.
Embora o acordo firmado na quarta-feira não admita qualquer irregularidade, fica claro que a empresa decidiu repentinamente que valia a pena chegar a um acordo.
Foram dias difíceis no tribunal, com inúmeras evidências apresentadas sugerindo que, no passado, executivos sabiam que coisas prejudiciais estavam acontecendo nas plataformas e não tomaram nenhuma providência quanto a isso.
Um executivo afirmou não se lembrar de ter escrito em um documento que a Meta às vezes optava por pagar multas por violações regulatórias em vez de fazer mudanças ou cumprir o mínimo exigido pelas normas.
A Meta defende que as novas medidas que implementará para aumentar a proteção de crianças e adolescentes, como parte do acordo, só beneficiarão os menores de idade se outros aplicativos também as adotarem.
A empresa precisa torcer para que seus concorrentes diretos decidam cooperar, embora ela própria nem sempre tenha sido cooperativa. Mas, diante das crescentes críticas às redes sociais em todo o mundo, eles podem ser forçados a fazê-lo.
Fonte: BBC - Brasil - 26/08/2026
Notícias relacionadas
- 27/08/2026 Novas regras para drones reforçam segurança e orientam pilotos sobre como operar
- 27/08/2026 Prévia da inflação de agosto é de -0,40%, informa IBGE
- 27/08/2026 Meta concorda em pagar até US$ 18 bi para encerrar julgamento sobre redes sociais 'viciantes' para crianças e adolescentes
- 27/08/2026 Governo processa Discord e pede R$ 500 milhões por danos morais coletivos
- 27/08/2026 Flávio Bolsonaro terá programa para endividados e regra fiscal, diz Daniella Marques
- 27/08/2026 IPCA-15: preços caem 0,40% em agosto, com conta de luz, gasolina e alimentos mais baratos
- 27/08/2026 Mordida de cachorro gera conta de R$ 84 mil nos EUA e expõe risco de viajar sem seguro
- 27/08/2026 A duplicata escritural e a economia operacional brasileira
- 27/08/2026 Cartas de Leitores
- 27/08/2026 A conta da reforma tributária para o mercado imobiliário
Notícias
- 27/08/2026 Prévia da inflação de agosto é de -0,40%, informa IBGE
- Dona de Habib's e Ragazzo entra em recuperação judicial
- IPCA-15: preços caem 0,40% em agosto, com conta de luz, gasolina e alimentos mais baratos
- Governo processa Discord e pede R$ 500 milhões por danos morais coletivos
- Carbono Oculto: MPSP denuncia 16 por adulteração de combustível e lavagem
- Seguro do carro cobre alagamento? Veja quando há direito à indenização
Perguntas e Respostas
- Quanto tempo o nome fica cadastrado no SPC, SERASA e SCPC?
- A consulta ao SPC, SERASA ou SCPC é gratuita?
- Saiba quais os bens não podem ser penhorados para pagar dívidas
- Após quantos dias de atraso o credor pode inserir o nome do consumidor no SPC ou SERASA?
- Protesto de dívida prescrita é ilegal e dá direito a indenização por danos morais
- Como consultar SPC, SERASA ou SCPC?
- ACORDO - Em caso de acordo, após o pagamento da primeira parcela o credor é obrigado a tirar o nome do devedor dos cadastros de SPC e SERASA ou pode mantê-lo cadastrado até o pagamento da última parcela?
- CHEQUE – Não encontro à pessoa para qual passei um cheque que voltou por falta de fundos. O que posso fazer para pagar este cheque e regularizar minha situação?
- Problemas com dívidas? Dicas para você não entrar em desespero
- PROTESTO - Qual o prazo para o protesto de um cheque, nota promissória ou duplicata? O protesto renova o prazo de prescrição ou de inscrição no SPC e SERASA?
- Cartão de Crédito: Procedimentos em caso de perda, roubo ou clonagem
- O que o consumidor pode fazer quando seu nome continua incluído na SERASA ou no SPC após o pagamento de uma dívida ou depois de 5 anos?
- Posso ser preso por dívidas ?
- SPC e SERASA, como saber se seu nome está inscrito?
- Acordo – Paga a primeira parcela nome deve ser excluído dos cadastros negativos (SPC, SERASA, etc)
