Lula diz que terá que tomar 'decisão mais drástica' sobre bets e convoca reunião nesta semana
Publicado em 02/09/2026 , por Folha Online
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (1º) que vai realizar uma reunião com a equipe de seu governo sobre a regulação das bets ainda nesta semana, e disse ter que tomar uma decisão mais "drástica" sobre as plataformas.
As falas foram feitas durante encontro em que recebeu demandas de representantes de entidades religiosas e setores da economia que pedem uma maior regulação dos sites de aposta.
"Eu pessoalmente acabava com as bets, eu acho que é um mal da sociedade. Agora, como presidente da República, eu tenho que saber que tem outras coisas que eu tenho que compartilhar, decisões para que a gente possa fazer da forma mais correta possível", disse Lula. "Eu acho que nós temos que tomar a decisão mais drástica. Porque nós não temos sequer inflação de demanda."
Entre os convidados estiveram o Frei Jorge Luiz, da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), presidida por dom Jaime Spengler, que também era esperado no encontro. A entidade tem se posicionado de forma contrária à legalização de jogos de azar no país e alega danos sociais, familiares e espirituais provocados pela promoção das plataformas de apostas.
O Planalto também reuniu representantes de setores da economia como Ricardo Alban, presidente da CNI (Confederação Nacional da Indústria), e Isaac Sidney, presidente da Febraban (Federação Brasileira de Bancos).
O cantor Emicida, a produtora cultural Paula Lavigne e o influenciador Yuri Zero, da página de humor Melted Vídeos também participaram da conversa.
Ao fim do encontro, Lula agradeceu aos presentes pelas contribuições e afirmou que a discussão desta terça era a etapa que faltava para tomar uma decisão mais efetiva sobre o tema.
"Quero agradecer a vocês porque hoje considero um norte para que a gente possa tomar uma decisão. Tem dois terços da decisão tomada. Faltava essa reunião para que a gente possa afinar e tomar uma decisão. É extremamente importante que a gente salve o país", disse.
A busca por fontes de renda extra foi apontada, ao longo da conversa, como um dos motivadores para a população recorrer aos jogos de apostas.
"Essa semana nós temos uma reunião e eu sugeri que, antes de tomar qualquer decisão definitiva, eu queria ouvir o que a sociedade brasileira pensa sobre as bets para que a gente tome uma decisão baseada naquilo que a sociedade brasileira está sofrendo", afirmou.
Ainda em sua fala, Lula disse já ter tentado proibir as plataformas.
"A gente tentou regular, tentou proibir. Mas proibir 60 mil bets clandestinas não é fácil, o nosso pessoal do Procon não tem condição de fiscalizar, não tem estrutura para tanto bandido junto, não tem prisão de segurança máxima que caiba tanta gente", declarou.
Em nota, IBJR (Instituto Brasileiro de Jogo Responsável) disse reconhecer a importância da iniciativa do governo, mas questionou pontos levantados pelos participantes ao longo da discussão.
"Algumas informações apresentadas nesta terça-feira (1º) foram baseadas em metodologias, períodos e recortes distintos. Parte dos dados é anterior à entrada em vigor do mercado regulado ou foi coletada durante seus primeiros meses. Outras pesquisas utilizam parâmetros de países com realidades diferentes da brasileira", diz o instituto.
"Além disso, as análises não distinguem as empresas licenciadas no Brasil, que cumprem as obrigações previstas na legislação brasileira, das plataformas ilegais, que operam sem autorização e à margem dessas regras. O setor regulado é o maior interessado no combate à clandestinidade e na construção de um mercado seguro, responsável e sustentável no país", afirma ainda.
Assim como a CNBB, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs também marcou presença na reunião e foi representado pela pastora Patrícia Bauer, da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil.
À Folha ela antecipou que o conselho iria pedir a restrição dos anúncios referentes às bets, a regulamentação que imponha limites operacionais às plataformas e campanhas de conscientização acerca dos riscos das apostas.
A entidade também abordou medidas de proteção à renda dos usuários e de assistência à saúde pública.
Organizações ligadas a proteção de crianças, como o Instituto Alana, também compareceram. O instituto foi representado pela jornalista Maria Mello, para abordar a questão das bets no contexto de crianças e adolescentes.
O governo Lula tem adotado uma postura crítica às apostas online. O presidente, que atribui parte do endividamento da população às plataformas, já havia dito ter a intenção de "fechar" as bets.
Dados do Ministério da Fazenda de agosto mostram que as bets autorizadas a atuar em nível federal receberam R$ 220 bilhões em depósitos durante 2025.
Fonte: Folha Online - 01/09/2026
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