Além da senha: como biometria multimodal e IA combatem fraudes bancárias
Publicado em 09/07/2026 , por CNN Brasil
Com 60% dos usuários atentos à privacidade, bancos reforçam criptografia de dados biométricos para garantir confiança digital
Com a sofisticação das fraudes digitais, o uso de senhas alfanuméricas tornou-se insuficiente. A identificação biométrica tem ganhado espaço crescente como ferramenta central para garantir que apenas o titular tenha acesso a transações críticas, transformando características biológicas únicas em chaves digitais invioláveis.
Durante o painel sobre biometria na Febraban Tech 2026, especialistas reforçaram que essa tecnologia é hoje o "estado da arte" na prevenção a crimes financeiros. "A biometria facial tornou-se rapidamente parte essencial do onboarding digital, agilizando abertura de contas e verificações de identidade", afirmou Walter Faria, diretor da Febraban.
A defesa contra o "Golpe do Pix" e deep fakes
A biometria facial atua como uma interrupção crítica no fluxo do crime, especialmente no "Golpe do Pix". Mesmo que um smartphone seja roubado desbloqueado, o banco exige a validação facial para autorizar transferências de valores elevados.
No Inter, por exemplo, essa verificação feita pelo i-safe pode acontecer para transações fora do padrão comum de cada usuário ou até para qualquer transação realizada, a depender dos padrões de segurança acionados pelo aplicativo.
Esse recurso é útil também para combater tentativas de golpe ainda mais avançadas. As deep fakes ― fotos ou vídeos gerados por IA que simulam a face e até a voz de uma pessoa ― podem ser usadas por criminosos para tentar driblar a biometria.
Para evitar que isso aconteça, o sistema usa o Liveness Detection ou Prova de Vida; um recurso utilizado para verificar se uma pessoa interagindo com um sistema biométrico é um ser humano real e está presente no momento.
Prevenção de fraudes e segurança em novos dispositivos
De acordo com a Política de Privacidade do Inter, a biometria facial é utilizada em momentos críticos da jornada do cliente, como no registro da conta em um novo dispositivo ou durante o procedimento de reset de senha. Essa verificação garante que a identidade do titular seja confirmada de forma inequívoca, impedindo que terceiros assumam o controle da conta.
Além da face, o banco utiliza informações de localização aproximada para auxiliar no gerenciamento de riscos de segurança. O objetivo é criar um ecossistema onde a conveniência do acesso digital não comprometa a integridade dos ativos financeiros.
Uma preocupação comum entre 60% dos clientes bancários, segundo dados divulgados pelo Comitê Gestor da Internet, é a privacidade dos dados biométricos. No entanto, o processo técnico garante o sigilo.
O Inter não armazena a imagem do rosto do cliente em seus servidores. A LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) é uma das bases legais que orienta às instituições financeiras sobre a necessidade de transformar dados biométricos em templates criptografados para proteger seus clientes.
Isso acontece porque, com a criptografia, potenciais invasores não conseguem reconstruir a imagem original (a foto da face dos clientes) e utilizá-la para acessar contas bancárias e fazer transações.
Fonte: CNN Brasil - 09/07/2026
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