A volta do carro a álcool: por que montadoras planejam modelos só a etanol?
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A volta do carro a álcool: por que montadoras planejam modelos só a etanol?

Publicado em 20/08/2026 , por R7

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Incentivo criado pelo programa Mover permite reduzir ou zerar o IPI; Chevrolet já oferece Onix e Onix Plus dedicados ao biocombustível, enquanto Volkswagen e Stellantis estudam seguir o mesmo caminho

Quem tem mais experiência pode até lembrar de um carro a álcool na garagem. O injetor de gasolina e uma dose de paciência eram necessários até que o carro pudesse se movimentar com economia. Mais de duas décadas depois de perder espaço para os motores flex, o carro movido exclusivamente a etanol está voltando ao mercado brasileiro.

E hoje com a injeção eletrônica e não com carburador o uso do etanol ficou fácil. Não é mais necessário usar gasolina nem mesmo no injetor. E o carro a álcool pode ganhar mais espaço nas garagens.

A General Motors foi a primeira a aproveitar essa nova oportunidade com o Chevrolet Onix Eco e o Onix Plus Eco, enquanto Volkswagen e Stellantis também avaliam lançar veículos dedicados ao biocombustível. Mas por que o carro a álcool pode estar prestes de ganhar uma nova chance?

Meio ambiente ou bolso feliz?

Apesar do discurso ambiental, o principal motivo para a retomada é tributário: enquadrar determinados modelos nas regras do programa Mover e, assim, reduzir ou até zerar o Imposto sobre Produtos Industrializados, o IPI. Isso torna o carro mais barato e pode representar economia na compra e no uso.

A mudança está ligada ao chamado IPI Verde, regulamentado pelo governo federal em 2025. O sistema parte de uma alíquota-base de 6,3% para automóveis e aplica bônus ou acréscimos conforme fonte de energia, consumo, potência, segurança, reciclabilidade e impacto ambiental. Um veículo dedicado ao etanol recebe abatimento de 0,5 ponto percentual apenas pelo combustível utilizado, enquanto um flex convencional não ganha redução nesse critério. Em determinadas combinações, essa diferença é suficiente para colocar o automóvel dentro do programa Carro Sustentável e zerar o imposto. Se o carro emitir até 93g de CO2 e tiver ao menos 80% de reciclabilidade além de produção nacional o imposto é menor.

É justamente na medição do “poço à roda” que o etanol leva vantagem. O cálculo considera não somente os gases liberados pelo escapamento, mas toda a cadeia de produção e utilização do combustível. Como a cana-de-açúcar absorve dióxido de carbono durante seu crescimento, parte das emissões produzidas na fabricação, distribuição e queima do etanol é compensada. Já no modelo flex, a homologação precisa considerar também o funcionamento com gasolina, elevando o resultado de CO₂ usado para definir o benefício tributário.

GM saiu na frente com o Onix a etanol

A Chevrolet explorou essa brecha com as versões Eco do Onix e do Onix Plus. Os dois utilizam motor 1.0 turbo de três cilindros, câmbio automático de seis marchas e funcionam somente com etanol. O hatch foi anunciado por R$ 103.190 e o sedã por R$ 106.990. Com gasolina, as versões turbo flex automáticas ultrapassavam o limite ambiental necessário para acessar os principais benefícios. Ao retirar a possibilidade de abastecimento com o combustível fóssil, a GM conseguiu melhorar o enquadramento tributário e posicionar o conjunto turbo automático próximo das configurações mais básicas. O preço pode ficar até 7,8% menor nestes casos.

Portanto, não se trata exatamente de uma revolução mecânica. Transformar um motor flex em uma configuração dedicada ao etanol demanda principalmente alterações de calibração eletrônica e homologação. O veículo perde a liberdade de receber gasolina, mas a fabricante consegue aproveitar a maior resistência do etanol à detonação, preservar o desempenho obtido com o combustível e, principalmente, reduzir o imposto. Para o consumidor, a vantagem aparece no preço de compra, embora o custo por quilômetro continue dependendo da relação entre os valores do etanol e da gasolina em cada região.

Volkswagen, Fiat, Peugeot e Citroën podem seguir mesmo caminho

A Volkswagen já admitiu enxergar espaço para carros exclusivos a etanol, embora ainda não tenha confirmado um modelo. A fabricante tem motores EA211 amplamente nacionalizados e poderia aplicar a estratégia em produtos compactos de grande volume. A Stellantis também afirma possuir a tecnologia e estuda a demanda antes de definir o lançamento. Nesse caso, o recurso poderia ser compartilhado por diferentes marcas e fábricas do grupo, abrindo espaço para automóveis da Fiat, Citroën e Peugeot, além de futuros híbridos que combinem eletrificação e etanol. Por enquanto, entretanto, nenhum produto dedicado foi oficializado por essas empresas.

Chevrolet Sonic com acessórios originais

O retorno também não deve significar o fim dos carros flex. A capacidade de escolher o combustível continua sendo uma vantagem importante para o motorista, especialmente em regiões onde o etanol é caro ou menos disponível. A tendência é que os modelos dedicados sejam usados inicialmente em versões específicas, principalmente automáticas de entrada e veículos destinados a frotistas, locadoras, taxistas e empresas com metas de redução de carbono.

O carro a álcool dos anos 1980 nasceu como uma resposta à dependência brasileira do petróleo. A nova geração surge por uma razão diferente: a engenharia tributária criada pelo Mover. O etanol oferece um argumento ambiental válido, mas é a possibilidade de pagar menos IPI que transforma novamente o combustível em uma oportunidade comercial para as montadoras. E assim o carro a álcool, ou etanol, pode ganhar mais espaço.

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Fonte: R7 - 20/08/2026

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